Mauricio (3)
Entrevista.com, 29.12.2021 às 13:28
PERCURSOS…
Maurício Queiroz nasceu em São Paulo e vive em Viana do Castelo há 30 anos. A desempenhar funções nos Serviços de Acção Social da Universidade do Minho (SASUM) há 27 anos, faz parte de uma equipa de três trabalhadores que compõem, atualmente, a Divisão de Sistemas de Informação.

Nesta entrevista, o mestre em Engenharia Informática que tem dupla nacionalidade (brasileira e portuguesa), fala-nos do seu percurso de vida e experiência profissional, conta como é vivido o dia a dia, considerando-se uma pessoa otimista de nascença. 

Como chegou aos SASUM e qual o seu percurso profissional?

A ligação aos SASUM surgiu em 1996 e ainda enquanto estudante e dirigente da AAUM. Em 1997 comecei a fazer horas como trabalhador estudante na área da Contabilidade. Fui contratado em 1998, para fazer parte integrante da equipa do Departamento Financeiro. Em 2008 passei a integrar o setor de informática, atualmente designado por divisão de sistemas de informação, onde exerço funções até hoje. 

Há quantos anos está nos Serviços e quais são as suas funções?

Acho que já estou há muitos anos, devo ter até uma etiqueta de imobilizado atribuída à minha pessoa (risos). Com a saída em mobilidade do Eng. Rui Rebelo, sou atualmente o único especialista de informática nos SASUM, ao meu lado tenho dois técnicos, o Luís Resende e o Rui Leandro, com quem partilho toda a nossa atividade. As minhas funções, em conjunto com os meus colegas, são de responder a todos os pedidos na área de informática, por vezes somos obrigados a sair destas funções e fazer muito trabalho administrativo, entre outros. 

Porquê a área da informática?

Comecei pela eletrónica e daí para a informática foi um pequeno passo. O meu primeiro contacto com um computador foi em 1979, onde fiquei muito desiludido. Pouco a pouco fui criando os primeiros programas e vendo o resultado e a cada linha de código escrita, uma nova janela se abria. Isso ficou e marcou muito a forma de estruturar os meus pensamentos e ações no meu dia a dia. 

Gosta do que faz?

Gosto, sempre gostei de todas as tarefas que me proponho a fazer, sempre procuro o lado bom da tarefa para me motivar cada vez mais. 

O que mais o motiva e quais as maiores dificuldades, no dia a dia, no desenvolvimento do seu trabalho?

O que me motiva é saber que posso fazer a diferença, que posso aprender coisas novas, aperfeiçoar-me a cada dia e a cada momento. Nos SASUM temos muitos desafios, um leque enorme de possibilidades de melhorar o que é feito, e isso é motivador. As maiores dificuldades estão, atualmente, relacionadas com a grande burocracia que se formou à nossa volta e a falta de investimento em equipamentos. Ao longo dos últimos anos, com as crises económicas e as dificuldades que a instituição tem passado, aliado à pandemia, deixamos de ser bens de primeira necessidade, pois o relevante é salvar as infraestruturas que dão receita. 

Como é um dia de trabalho de Maurício Queiroz?

Não existe uma rotina, para além do previsível, há o imprevisível que toma por vezes mais tempo do que o esperado e têm de ser resolvidas, normalmente de imediato. Normalmente, estou disponível dentro e fora do horário de trabalho, para os meus colegas, principalmente do departamento alimentar, dado terem cada vez mais  de interagir com equipamentos eletrónicos e processos administrativos que necessitam de acompanhamento “personalizado”, e eu tento dar o meu apoio ao máximo. 

Como caracteriza o trabalho feito na divisão de sistemas de informação?

É um trabalho transversal a toda a estrutura, dar apoio a todos os trabalhadores é muito exigente, requer estarmos sempre em atualização e a par do que acontece no mundo informático. É necessário antever problemas antes que aconteçam, desta forma são resolvidos sem que os nossos utilizadores se apercebam. Por outro lado, o fato de evitarmos problemas dá a impressão que não fazemos nada e por vezes este esforço adicional não é reconhecido. 

Quais são as melhores e as piores memórias que tem do seu trajeto nos SASUM?

As melhores recordações são muitas, principalmente a interação com os colegas de trabalho, não só da minha divisão, mas de todos os outros departamentos. Tenho um carinho especial por cada um e acho que sou bem acolhido em todos os lugares. Sem dúvida que as festas de Natal eram um ponto forte, as atividades extra trabalho como o aniversário dos SASUM, jogos de futebol entre Braga e Guimarães e outros, fizeram grandes momentos. Mais recentemente o SASUM realizaram uma Team Building, uma iniciativa também muito interessante. As piores guardo para mim na esperança que um dia elas se tornem irrisórias. 

Como tem sido passar por esta pandemia, a nível pessoal e profissional?

Como informático não foi nada difícil adaptar-me. Trabalhar em casa deu-me mais tempo disponível no dia, pude aproveitar as duas horas de tempo perdido diariamente em deslocações, foi possível cumprir agendas e tarefas com maior rigor. Em casa também tenho disponibilidade para usar equipamentos superiores aos que tenho disponíveis nos SASUM, tenho melhores condições de trabalho e, principalmente, poder fazer as refeições em casa e reduzir os custos mensais.

A nível familiar já não foi assim tão simples, pelo facto de termos de estar todos “fechados” em casa. 

Como olha para o futuro?

Sou um otimista de nascença. Estou sempre à espera que o dia seguinte seja melhor. Neste momento acredito que o futuro passa por abraçar novos caminhos, novos desafios. Após quase 27 anos de UMinho, parar e olhar o caminho percorrido, ver o que outros colegas informáticos fizeram, os benefícios e evolução que a nossa classe trouxe para a evolução desta Universidade e colocar na balança a contrapartida do que a Universidade fez por nós, que tipo de reconhecimento obtivemos, entristece-me um pouco e vejo que possivelmente, é hora de procurar outro rumo.     

Curiosidades 

O que o marcou?

A minha passagem pela Força Aérea onde estive no pelotão de polícia da Aeronáutica, aprendi o rigor das hierarquias, o cumprir ordens, a camaradagem e companheirismo que não encontrei em mais nenhum lugar. 

O que ainda não fez?

Visitar países em busca de ver de perto lugares que estudei na minha infância, ver de perto a história destes lugares. Entre eles posso citar a Grécia, Itália, Egito, Estados Unidos e muitos outros.

Ainda tem um grande sonho?

Temos sempre sonhos, é isso que move a nossa vida, sonhos, esperanças, e eu não poderia ser diferente.

Livro?

Operação Cavalo de Tróia.

Filme?

Todos os filmes e series do Star Trek.

Uma música e/ou um músico?

São muitas, cada uma com a sua história e que trazem grandes recordações.

Um grupo brasileiro que eu aprecio muito é Biquíni Cavadão, músicas como Timidez, ¼, Reco e Meu Reino tiveram grande importância. 

O que gosta de fazer nos tempos livres? 

Ouvir música, ver filmes e séries, e quando possível viajar ou andar por aí.

Vício?

Tentar estar atualizado, saber um pouco de tudo ser “metódico”.

Um lugar?

Não diria um lugar, mas sim três lugares que marcam a minha existência, São Paulo (BR), Carvoeiro (Viana do Castelo) e Paredes (Bragança). 

A Universidade do Minho?

Tem sido a minha segunda casa, muitos amigos, muitas lembranças e uma referência incontestável na minha existência.

Texto: Ana Marques

Foto: Nuno Gonçalves

Arquivo de 2021